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Blog de montgomeryvasconcelos
 


A poética do Cosmos de Augusto dos Anjos requer risco, fazer o que tem de ser feito, daí o presidente da Fucirla/SP, Montgomery Vasconcelos, traz à tona a ética do EU a assombro do mundo!

Que ninguem doma um coração de poeta!

Resumo

O ensaio breve prova como no soneto “Vencedor” e no EU há um poeta atormentado em sua própria euforia estética como se fosse um estranho Messias vindo à tona do inesperado e do inevitável pra doar um novo Cosmos por meio duma nova poética. Daí surge o seu desejo imperioso e decidido à instauração de sua nova Roma fundada na vanguarda duma excêntrica civilização brasileira. Gente estranha essa permeando sua estética da originalidade que assombrará o mundo por meio dum novo estatuto às palavras feias, fedorentas,  esdrúxulas e  iconoclastas de seu repertório indomável. E este por sua vez brotando em turbilhões do inesperado e imprevisível pra arrombar as portas intransponíveis do conteúdo e forma inúteis à poética do Cosmos.

No soneto “Vencedor” e em todo EU há um poeta convicto em instaurar uma nova civilização brasileira que assombrará o mundo por meio dum novo estatuto à palavra feia e fedorenta arrombando as portas à nova poética do Cosmos. Assim Augusto dos Anjos reivindica um novo cosmos a Deus, pois está inconformado e quer salvar a humanidade, encarnando um novo Cristo por acreditar que ele não morreu e vive na Serra da Borborema, lá na Velha Paraíba onde nasceu.

A poética do EU de Augusto dos Anjos, assentada em bases sólidas do verossímil e da unidade clássica do filósofo Aristóteles, necessita de risco, fazer o que tem de ser feito, no seu projeto fracassado dum novo Cosmos que ressuscita à vida duma nova Roma instaurada noutra nova civilização brasileira frente ao velho mundo.

Trata-se duma poética da transgressão que se dá à janela livre da globalização ao unir os povos numa só nação chamada Brasil, por estar à frente de seu tempo e na vanguarda cultural da unidade das nações também à luz da pluralidade do Contra o Método, de Paul Feyerabend.

Nem é à toa que nesse ensaio breve A poética carnavalizada de augusto dos anjos o presidente da Fucirla/SP, doutor em Comunicação e Semiótica/PUC-SP, prof. Montgômery Vasconcelos, venha provar como em todo o EU e no soneto “Vencedor” há um autor convicto em instaurar uma nova civilização brasileira que assombrará o mundo por meio dum novo estatuto à palavra feia e fedorenta como a cloaca que alimenta à hiena, animal desvairado que ainda assim sorrir. Palavra esdrúxula e excêntrica essa que arromba as portas da unidade clássica à literatura universal por meio de sua poética da pluralidade, da transgressão, ordinária e inclassificável.

Vencedor

Toma as espadas rutilas, guerreiro,

E á  rutilancia das espadas, toma

A adaga de aço, o gladio de aço, e doma

Meu coração — extranho carniceiro!

Não pódes?! Chama então presto o primeiro

E o mais possante gládiador de Roma.

E qual mais prompto, e qual mais presto assoma,

Nenhum poude domar o prisioneiro.

Meu coração triumphava nas arenas.

Veio depois um domador de hyenas

E outro mais, e, por fim, veio um athleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...

E não poude domal-o emfim ninguem,

Que ninguem doma um coração de poeta!

Pau d’Arco—1902

[ANJOS, Augusto dos. “Vencedor” in EU. Rio, s.c.p., 1912, p.102.]

Augusto dos Anjos na tenra infância já era poeta indomável de composição curiosa nas cercanias do Engenho Pau D'Arco, propriedade de sua Família lá na Velha Paraíba. Nasce já poeta sendo doutor formado na mesma Escola de Tobias Barreto, a Faculdade de Direito em Recife-PE. Augusto dos Anjos já em sua originalidade infanto-juvenil lia tudo que havia na Biblioteca da Família, abastecida pelo pai Aprígio dos Anjos por meio de suas encomendas importadas da Europa e demais Continentes. Vai ver que daí surge a influência confessa do autor de EU pela poética de Shakespeare e Poe.

Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos

[Presidente da Fucirla/SP]



Escrito por montgomeryvasconcelos@bol.com. às 05h56
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A poética do Cosmos de Augusto dos Anjos requer risco, fazer o que tem de ser feito, daí o presidente da Fucirla/SP, Montgomery Vasconcelos, traz à tona a ética do EU pra assombro do mundo! Cont...

Que ninguem doma um coração de poeta!

A FESTA DA CARNE

Trata-se de pesquisa científica de Montgomery Vasconcelos que divulga críticas sobre A poética carnavalizada de augusto dos anjos, a festa da carne, entre outras poéticas da intersemiose na semiótica da literatura e nas artes.

A poética carnavalizada de augusto dos anjos é a festa da carne, o carnaval, apresentando-se com a mesma sinonímia triádica da sátira menipéia, que Bakhtin, em seu livro Problemas da poética de Dostoiévski, resgata lá nas manifestações carnavalescas da antiguidade grega por meio de Menipo de Gadare, seu criador que lhe dá nome.

Nem é à toa que o poeta do EU, Augusto dos Anjos, explore em sua poética expressões tétricas como "Evangelho da podridão", "verme", "matéria em decomposição", “cloaca”, "escarro", “miseria”, “grito”, “horrenda”, “alegre” e "sangue". Todavia tudo junto e misturado às palavras alegres da literatura carnavalizada. É como se criasse assim nessa poética uma metalinguagem cinematográfica sobre o corpo devorado por seus próprios vermes. E o faz por meio duma escritura em plena festa da carne, o carnaval: espetáculo universal de sua poética da transgressão descentralizada num mesmo palco, numa mesma cena do cômico, trágico e dramático, reverberando tudo junto e misturado, pra arrombar as portas dum novo Cosmos seu no assombro fatal da terra.

Enfim, a sátira menipéia manifesta-se pois também nessa poética aristotélica do EU. Mas ao mesmo tempo é uma poética da transgressão, uma autêntica e original "coroação destronamento". Trata-se de categoria explorada por Bakhtin em sua tríade filológica: "primeira peculiaridade", "segunda peculiaridade" e "terceira peculiaridade", equidistantes à tríade semiótica de Peirce: primeiridade, secundidade, terceiridade, que se vão corresponder também com a tríade de Lacan: real, simbólico, imaginário.

A poética do EU de Augusto dos Anjos é o grito desesperado pra salvar a humanidade por meio de seu projeto fracassado, que será ressuscitado tal como Cristo, vencendo a morte da estética e a instaurando numa cena inaugural doutra nova e gigantesca civilização brasileira, que assombrará o mundo.

Mas a carne é que é humana! A alma è divina. (...)

E vem-me com um despreso por tudo isto

Uma vontade absurda de ser Christo

Para sacrificar-me pelos homens!

Soberano desejo! Soberana

Ambição de construir para o homem uma

Região, onde não cuspa língua alguma

O oleo rançoso da saliva humana! (...)

Subito, arrebentando a horrenda calma,

Grito, e se grito é para que meu grito

Seja a revelação deste Infinito

Que eu trago encarcerado na minh’alma!

Pau d’Arco,-4-5-1907.

[ANJOS, Augusto dos. “Gemidos de Arte” in EU. Rio, s.c.p., 1912, pp.79-85.]

Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos

[Presidente da Fucirla/SP]



Escrito por montgomeryvasconcelos@bol.com. às 05h49
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A poética do Cosmos de Augusto dos Anjos necessita de risco, fazer o que tem de ser feito, daí o presidente da Fucirla/SP, Montgomery Vasconcelos, traz à tona a ética de EU pra assombrar mundo! Cont..

Que ninguem doma um coração de poeta!

O poeta Augusto dos Anjos é o Corvo da originalidade na poética de língua portuguesa à luz de Poe. Mesmo em seu passeio abre a cena inaugural dum Cosmos novo trancado a 7 chaves e pintando o 7 no mistério de sua alma de poeta Augusto dos Anjos, pois também é o Hamlet da originalidade na poética de língua portuguesa à luz de Shakespeare. Nem é à toa que Augusto dos Anjos atira muito mais ao longe que ambas influências poéticas suas. Note-se que ao invés de condenar a humanidade em sentença poética shakespeareana, tal qual a profecia no Apocalipse de João, constata a destruição da terra ressuscitada num Cosmos novo.

Todo o destino negro do planeta,

Onde minhas moleculas soffriam. (...)

E eu — coetaneo do horrendo cataclysmo —

Era puxado para aquelle abysmo

No rodomoinho universal das cousas!

[ANJOS, Augusto dos. “Noite de um Visionario” in EU. Rio, s.c.p., 1912, pp. 97-98.]

É mais do que justo surgir daí em relâmpagos e trovoadas sua epifania cristã abrindo, rasgando e arrombando a cena inaugural desse Cosmos novo instaurado pelo seu Jesus Cristo em carne, sangue e osso na Serra da Borborema. Dar-se-lhe assim um novo estatuto à originalidade de sua poética da podridão como novo ofício e mister sagrado à fundação duma nova Roma que assombrará o mundo a partir de seu berço natal, lá na Velha Paraíba, também ninho e gênese do EU.

Não! Jesus não morreu! Vive na serra

Da Borborema, no ar de minha terra,

Na molecula e no atomo... Resume

A espiritualidade da materia

E elle è que embala o corpo da miseria

E faz da cloaca uma urna de perfume.

[ANJOS, Augusto dos. “Poema Negro” in EU. Rio, s.c.p., 1912, p.111.]

Considerações finais

Se o artista na pintura do quadro Banho Turco faz a reprodução da carne o poeta, em especial Augusto dos Anjos, faz a apologia da carne. Augusto dos Anjos, na sua poética da transgressão instaura a festa da carne, a subversão, a constatação da miséria da natureza humana: espírito e corpo, da matéria; as virtudes sociais humanas, a moral cristã, a política, a cultura, a economia, a saúde, a sociologia e a ética, são questionadas, à luz das teorias científicas vigentes na época desse poeta à frente de seu tempo augusto na poética epifânica duma nova Roma instaurada noutra civilização brasileira que assombrará o mundo.

Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos

[Presidente da Fucirla/SP]



Escrito por montgomeryvasconcelos@bol.com. às 05h31
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